quarta-feira, 6 de maio de 2026

Diário de Bordo — As mãos que tremem também constroem


Diário de Bordo
— 06 de maio de 2026
As mãos que tremem também constroem

Depois de muitos dias me dedicando à escrita do meu livro e à construção das minhas redes sociais, finalmente consegui parar para organizar as ideias para efetuar mais um registro da minha saga como escritora. A sessão Diário de Bordo é um espaço onde registro momentos importantes desse processo de construção, dessa jornada.

Entrei em dúvida se usaria a palavra "construção" ou "jornada" para representar melhor o conceito por trás daquilo que estou vivendo e fazendo ao mesmo tempo, pois enquanto faço eu vivo, enquanto vivo o que faço, me transformo.

Mas mesmo depois de pensar muito, não sei como definir. Por quê? Eu me pergunto. Porque ao mesmo tempo que parece ser algo como um prédio que deve ser construído em camadas, desde a fundação até a tão sonhada vista da cobertura, ainda me remete a uma jornada onde estou inicialmente perdida em uma mata fechada, afastando os galhos e procurando as trilhas até encontrar caminhos mais definidos. Quem sabe uma estrada pavimentada...

Ou será que eu mesma terei que pavimentar essa estrada para mim?... Talvez seja por isso que me sinto perdida e sem caminhos. A resposta é que terei que construir estradas e pontes enquanto viajo. Eu terei que criar as respostas para as perguntas que ninguém conseguiu me responder.

Digo que, assim como com outras questões relacionadas a esse momento, escrevo essas linhas com as minhas mãos trêmulas, como as de quem segura o volante de um carro novo, mesmo que popular, para sair da garagem.

Não é como se eu nunca tivesse dirigido antes. Depois de tirar a habilitação, eu peguei esse carro algumas vezes e dei uma ou duas voltas no quarteirão, testando. Mas agora é diferente, estou saindo da minha zona de conforto, me dispus a estabelecer um destino para minha jornada, que está além do que meus olhos podem alcançar na linha do horizonte.

O local não é um ponto fixo num mapa. Eu não sei onde ele está, nem sei exatamente como chegar. Apenas sei como ele é e como eu me sentirei completa quando chegar lá.

Então, agora estou aqui, segurando o volante... com as mãos trêmulas.

Na minha mente eu sei exatamente o que tenho que fazer: tenho que fazer a manobra de ré para sair da garagem primeiro, mudar a marcha e acessar as ruas já conhecidas de passeios anteriores, e logo sei que chegarei às avenidas e às autoestradas, onde encontrarei outros veículos e seus condutores, indo em suas próprias jornadas, cada um na sua própria velocidade.

Não posso deixar o carro morrer...

E esse pensamento logo traz o meu maior inimigo: o Pânico de Antecipação. Eu me vejo na estrada e percebo: os ruídos ensurdecedores da estrada, provocados por motores e buzinas, a poeira e pedrinhas levantadas pelos outros carros que batem contra a lataria do meu automóvel, a chuva torrencial que irá embaçar meu para-brisa, o sol da manhã ou do fim de tarde que ataca meus olhos cansados, e todas as prováveis e improváveis situações e desafios que podem se apresentar numa viagem de carro.

E isso me deixa de joelhos fracos...

Se eu não estivesse sentada no banco do motorista, ainda parada dentro da garagem, apenas projetando e me deixando submergir nessa mistura sinistra de capacidade de elaboração de futuros catastróficos e sentimentos de autodepreciação, sinceramente não creio que poderia permanecer de pé.

Mas aqui estou... Segurando o volante...

E dessa vez meu carro não está vazio como nos outros passeios curtos. Me muni de equipamentos e manuais, assim como outros itens úteis ou supérfluos para quem deseja sair sem data para voltar, se é que um dia desejará voltar. Tudo que é importante está comigo. E aquilo que não consegui deixar para trás, como o medo, vou deixar em algum local durante as paradas eventuais, mesmo que não seja de uma vez. Irei me livrar dele aos poucos. Mas o descartarei no local adequado para que nenhum outro motorista seja prejudicado por ele.

Eu não posso enumerar quantas vezes planejei sair em uma jornada e ver o que o mundo vai me oferecer enquanto eu me ofereço a ele.

Mas não posso negar a mim mesma viver isso. Eu não posso cometer esse crime contra minha existência.

Às vezes me pergunto o que farei quando estiver na autoestrada e esse pânico me dominar. Veja, são poucas as opções: eu posso simplesmente pular do carro e ser atropelada pelos outros viajantes, parar no acostamento e tentar me acalmar ou pedir ajuda, ou aguentar.

Aguentar e suportar a sensação até que ela vá embora, percebendo que não tem mais espaço na minha vida. E aí, quem sabe, na próxima curva, algo bonito surja e me confirme que realmente eu acertei iniciar essa jornada.

Percebo, durante a revisão desse texto, que eu uso muito a palavra "eu" e a palavra "não".

Eu não sei se para o leitor isso vai ser repetitivo e maçante, mas às vezes as coisas são sobre o eu e sobre os nãos. Só que nesse contexto, onde eu falo sobre o que é meu e sobre o meu "não", também eu falo sobre o "sim" que eu estou dizendo à vida.

Espero que você possa se unir a mim nessa jornada. Se tiver tempo, sente no banco do carona e veja a paisagem comigo, mesmo que por um curto trajeto, afinal todos têm o seu próprio caminho. Mas, se não for possível, acene para mim quando meu carro passar pelo seu ou quando nos encontrarmos numa parada para reabastecer.

Atenciosamente,
Sra. NIX

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