segunda-feira, 11 de maio de 2026

AS VIAGENS DE GULLIVER



As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, é um livro sobre perspectiva. Sobre o que acontece quando você é grande entre os pequenos e, de repente, se torna pequeno entre os gigantes. Sobre ser o centro das atenções e, ao mesmo tempo, um objeto para o entretenimento alheio.

Gulliver viaja por mundos fantásticos, e em cada um deles ocupa uma posição diferente.

Confesso que me perguntei durante a leitura constantemente: o mundo mudou em relação a Gulliver? Ou Gulliver mudou em relação ao mundo? Foi o caminho entre os mundos que o mudou? Ou foi o caminho que o conduziu a um mundo que o mudaria?

Em um, ele é gigante. Em outro, uma frágil miniatura. Em alguns reinos, é tratado com respeito. Em outros, é apenas uma curiosidade. E essa alternância de papéis nos ensina algo valioso: aquilo que encontramos em nossa jornada pode nos dar uma nova perspectiva sobre nós mesmos e sobre como lidamos com os outros.

Quem somos nós, afinal? Um reflexo daquilo que os outros veem? Somos apenas um, ou somos inúmeras representações dos anseios alheios lançados sobre nós: o herói, o fantoche, a esperança, o aluno, o professor, o algoz...?

Confesso que a parte sobre as disputas políticas e as mesquinharias entre os reinos era tão expositiva que quase me fez abandonar o livro. Até que, refletindo, percebi que essa sensação vem do fato de as mazelas da sociedade estarem tão abertamente expostas que um livro tão antigo possa soar como um panfleto contra a hipocrisia.

Mas nada foi mais difícil do que a chegada ao reino dos cavalos. Os diálogos são em relinchados, e acompanhar aquilo foi cansativo. Li como alguém que tinha a obrigação moral de não pular capítulos, temendo deixar algo importante do enredo para trás e, com isso, não entender o final da história. Só depois de alguma reflexão consegui extrair um importante ensinamento: não devo julgar as coisas a partir do meu ponto de vista sobre o que é normal. Afinal, normalidade só tem a ver com aquilo a que estamos acostumados, com o que foi formado no nosso inconsciente sobre o que é certo e errado.

Uma sociedade de cavalos que se comporta como humanos é, de fato, muito estranha. Confesso que achei um pouco ridículo criar esse mundo para todos os pontos de parada na jornada de Gulliver. No entanto, penso que às vezes o uso do ridículo e do exagero nos ajuda a tratar de questões profundas através do choque, que impede o leitor de fingir que não viu determinada situação e de se apegar apenas às partes amenas das histórias.

Por fim, me perguntei: isso é estranho para quem? Para quem está acostumado a ver animais apenas como ferramentas de trabalho? Escrevendo este texto agora, penso que é uma situação semelhante à do primeiro filme O Planeta dos Macacos. Mas, enquanto os macacos emulavam o comportamento humano, os cavalos de Gulliver apenas externavam sua própria filosofia e viviam sua vida sem se transformar numa versão equina de nós.

Como seriam os humanos vistos por essas outras sociedades? Somos tão cheios de contradições e tão autodestrutivos, e ainda nos consideramos os seres racionais. Acho que a conclusão é a de que só podemos compreender a razão humana abraçando a loucura e a contradição da humanidade.

Acho que não li a versão infantil — e, pelo que me lembro, não sabia na época que havia duas versões. Hoje só posso dizer: foi bom ter sobrevivido à versão completa. (Risos.)

Mesmo com os trechos que me entediaram, o livro me deixou algo que carrego até hoje: a consciência de que o tamanho não está no corpo, mas na posição que ocupamos diante do outro.

Leia também: Conheça essa e outras histórias que me transformaram. 📖

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